Pesca da tainha

     Nascido em Barra de Guaratiba, é um dos moradores mais antigos da região. Dilson Ferreira de Souza mais conhecido como DIDIU, hoje com 81 anos, sentado no quintal de sua casa no alto do Morro do Picão tem privilégio de comtemplar a sua frente a Praia Grande e arredores.

     Homem de muitas lembranças, pôde nos contar um pouco de como acontecia o cerco às tainhas na Praia Grande.

Segundo Didiu, nos meses de janeiro e fevereiro as tainhas começavam a se deslocar da Lagoa dos Patos no Estado do Rio Grande do Sul rumo ao litoral sudeste. No período da primeira lua minguante do mês de maio elas começavam a chegar em Barra de Guaratiba costeando a Restinga da Marambaia e eram chamadas de tainhas tapejaras por serem grandes e gordas. Em seguida, nos meses de junho e julho, chegavam os cardumes das tainhas de corrida. Era uma quantidade tão grande que para tirar a rede do mar pescadores e banhistas ajudavam e ao mesmo tempo olhavam para o mar onde o espetáculo era ver aquelas tainhas saltando a rede, e, quanto mais puxavam, mais admirados ficavam com a quantidade de tainhas. A todos que ajudavam era dada de 1 a 2 tainhas pelo esforço realizado.

Parte desse cardume, segundo Didiu, rodava os mares, e quando ia se aproximando o mês de agosto ele entrava novamente em Barra de Guaratiba, costeando o Morro do Picão e a Ilha do Frade. Essas tainhas eram chamadas por eles de tainha ribada por serem magras e cabeçudas. Um espia ficava em cima do morro observando o mar e avisava que o cardume estava se aproximando e assim a canoa saia para cercá-lo. Hoje nesse morro que é chamado de Morro da Espia encontra-se o Quartel dos Bombeiros e o Posto de Saúde.

Didiu Lamenta a ocorrência da pesca industrial que cerca a tainha próxima a Lagoa dos Patos, impedindo que o cardume suba para o sudeste, acabando com o cerco em Barra de Guaratiba que ocorreu pela última vez com vaga lembrança em 1995.


Didiu ainda comentou, fazendo uma pequena homenagem àqueles que fizeram parte desse tempo glorioso e que deixou muitas saudades.....
Atílio, Alvaro, tiozinho, Alvinho, Alberto e outros.



E a conversa continuou.......

Os assuntos sobre a região são tão interessantes que esquecemos da hora, conversa vai conversa vem começamos a falar do tal tubarão que foi pescado nos idos de 1931 e para nossa surpresa um dos pescadores foi o seu sogro Beijamim Antônio Alves.

Didiu contou que seu sogro fazia dupla com outro pescador de nome Manoel Ferreira e, em determinado dia do ano de 1931, no período da tarde, eles colocaram uma rede de espera para anchova há mais ou menos 100 metros da Praia Grande, ela tinha 100 braças e era feita de linha de algodão. No dia seguinte, como era de prache, eles remaram até a rede para retira-la da água e para surpresa de todos encontraram um tubarão-anequim pesando entre 1.300 a 1.500 kg preso na rede. A partir daí se deu início a uma operação de guerra para retirar o gigante da água, cordas e madeiras foram usadas para desloca-lo até um caminhãozinho Ford que o transportou até uma peixaria na Praça Quinze onde ele foi limpo. Foram encontrados em seu estômago vários ferrões de arraia que, segundo Didiu, podem ter ocasionado alguma enfermidade no gigante que, fraco, veio dar na praia. Algumas pessoas comentam que o tubarão era tão grande que parte do seu corpo foi arrastando pela estrada e vários pneus foram trocados durante a viagem porque estouravam devido ao grande peso que transportavam.

Ficamos surpresos com esse relato porque sempre imaginamos que o tal tubarão havia sido pescado em alto-mar, mas como Didiu acabou de contar foi ali quase que na beira da Praia Grande.