Parlon Siqueira

O Site Amo Barra de Guaratiba convidou o Historiador Francisco Alves Siqueira e Amigos para homenagear o saudoso Parlon Siqueira que nasceu e morou em Barra de Guaratiba e que marcou a sua época com sua forma alegre de viver, trabalhar e se relacionar com todos.

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Manoel do Bar Xodó também nos contou que Parlon residia na região mais alta do Morro da Barra de Guaratiba e quando veio morar na parte mais baixa, a beira de um Caminho sem nome, por onde passavam os bananeiros e seus cavalos trazendo cachos de bananas que eram colhidos no morro; em época de chuva a passagem ficava com muita lama devido ao tráfego dos animais. Parlon colocou um propósito em seu coração, que antes de morrer ainda iria ver um carro passando em frente a sua casa. A partir daí, sozinho, começou a cavar, abrindo espaço para que o caminho se tornasse uma estrada. Vendo o empenho do amigo, outros colegas começaram a ajuda-lo a conquistar os obstáculos que eram duros de vencer porque ali existiam muitas pedras que precisavam ser removidas, e ao concluirem todo o trabalho, Parlon passou a cuidar da estrada mantendo-a sempre limpa. Em vida teve todo esse trabalho reconhecido e foi homenageado pelos amigos que colocaram o seu nome na estrada, Estrada PARLON SIQUEIRA.

Orlando Cruz através de e-mail comentou que Parlon tinha um Companheiro inseparável que era o Sr. Bileca. Ambos, todas as tardes, dirigiam-se do Canto da Praia para o Bar Sereia, em frente à Prainha, para bebericar e conversar. Digo isto porque trabalhava naquele estabelecimento do Ailton (falecido) e do Abílio, na época.

Foto da casa onde o Parlon morou.

Francisco Alves Siqueira comentou que ao começar a se entender por gente, conheci aquele moço forte, alto, participando com meu pai e os demais vizinhos, de pescarias, competições como jogos de “sueca”, “biscas” e “malha”, caçadas, bailes, mutirões, etc. Fui crescendo e nos tornando amigos. Era PARLON SIQUEIRA. Eu apesar de ter Siqueira no nome não era seu parente. Era filho de Antonio Siqueira e morava com a família no alto morro de Barra de Guaratiba, era a última casa daquela montanha bem próxima da Pedra do Telégrafo. Sua mãe chamava-se Maria do Rosário, tinha três irmãos: Antoninho, Coió e Manoel da Rebequinha e mais umas três irmãs. Ele simpatizava comigo e me convidava para passeios, caçadas e pescarias, apesar da diferença de idade entre nós. Foi daí que numa pescaria de espada, à noite, na Semana Santa de 1939 que capturamos o maior peixe mero de Guaratiba, onde narro em meu Livro Barra de Guaratiba, Sua Vida, Seu Povo, Seu Passado, na página 59, o inesquecível episódio:
“– Na quarta-feira Santa do ano de 1939, fui convidado por um senhor muito amigo da família e exímio pescador, por nome Parlon, para irmos pescar espada.

– Como de costume procurei meu pai e dei ciência, já sabendo que relutaria para que eu não fosse, pois além de não gostar que eu pescasse, temia que eu morresse afogado, caso houvesse um naufrágio, porque eu ainda não sabia nadar e, por outro lado nunca eu havia pescado embarcado em canoa.

– Parece que o destino havia reservado algo de extraordinário para nós. Lembro-me que após haver concordado com a minha ida, meu pai fez várias recomendações, até que eu saísse. Preparei-me e fui à casa de Parlon para pegar os aparelhos e partimos para a pesca.

– Parlon me entregou uma linha com jogada pronta, não muito grossa, com capacidade para peixe de até uns 10 quilos. Descemos o morro já de noite e logo que chegamos na praia, empurramos a canoa até à água, embarcamos e saímos devagar, deixando o aparelho descer pela borda da canoa até o fundo para experimentar o puxão da espada.

– Estava uma noite calma e linda, com um luar esplêndido propício àquele tipo de pescaria. Após haver Parlon matado uma espada, puxei meu aparelho que ainda continha a primeira isca, coloquei outra por cima e deixei descer para o fundo, não tardando em sentir um tremendo puxão.

– Quase perdi o equilíbrio e fui logo advertido por Parlon, que naquele jeito de pescador experiente, tomou-me a linha dizendo estar entocada, porém foi surpreendido quando o peixe disparou com impetuosidade sem permitir que controlássemos a canoa.

– Parlon sentindo que não podia controlar o peixe, chamou a Crispim – um pescador experiente – que dentre outros se encontrava pescando mais distante, para vir nos socorrer. O seu filho Joca, que se encontrava próximo tentou por duas vezes, nos prestar ajuda, mas Parlon agradeceu.

– Logo ao chegar, Crispim abordou sua canoa a nossa e pegou a linha com aquele peixe a puxar. Uma terceira canoa veio ao nosso auxílio e em poucos instantes estávamos próximos a arrebentação das ondas no calhau do frade.

– Depois de muita luta o peixe veio à tona sem que reconhecêssemos a sua espécie, mas comentavam ser um cação. Na segunda vez que veio à tona deixou um grande “ressolho” e deu para se verificar que era um peixe de qualidade – um mero.

– Logo a seguir ele disparou novamente, com muita resistência, sendo preciso emendar outra linha, temendo que a primeira arrebentasse. Com duas linhas pôde-se dominar melhor o peixe que estava preste a escapulir do anzol se continuássemos forçando sua aproximação da canoa, dada a fragilidade do aparelho para um peixe de tal porte.

– A muito custo conseguiu-se dominá-lo e quando o trouxemos à borda da canoa, já boiado, furaram o queixo e amarraram uma grossa corda. Foi feita uma tentativa para embarcá-lo, mas a canoa não o comportava, então trouxemos para a praia e deixamos preso numa enseada para ser vendido no dia seguinte. O mero tinha aproximadamente 9 (nove) palmos ou 200 quilos e foi vendido na praia pela importância de 400$000 (quatrocentos mil reis).

– Até hoje não foi pescado outro igual nem superior, mesmo com aparelho adequado, em Barra de Guaratiba.

– Na quinta-feira Santa, quando Parlon foi retirar o peixe de onde se encontrava amarrado, verificou que a corda estava quase rompida. Havia ventado viração pala madrugada e agitado o mar, razão por que íamos perdendo o peixe.

– No sábado de aleluia foi comentado pelo Pasquim que aquele ato tinha sido praticado por mãos maldosas, de elementos melindrados com a façanha.

– Na partilha coube: 80$000 de quinhão para a dona da canoa – Maria do Rosário, mãe de Parlon; 40$000 para Crispim; 20$000 para Milton; 20$000 para José Santana; 120$000 para Parlon e 120$000 para mim.”

Quando à Cidade visitar parentes, me convidava e antes do regresso íamos almoçar no Restaurante “O GALO” na Rua Marechal Floriano e saborear a deliciosa feijoada.

Quando começou a construção do Polígono de Tiro da Marambaia, instalaram um Grupo Antiaéreo ao lado da Pedra do Telégrafo e o acesso dos militares era por seu terreno e bem próximo a sua casa.

Ás vezes nós comparecíamos no alojamento da guarnição e ouvíamos rádio. Na época o morro vivia às escuras. Lembro-me do Tenente Sacramento, Sargento Clerton e Soldado Pereira.

Com o êxodo rural, Parlon, como eu e outros descemos e ele passou a residir próximo ao Canto da Praia. Sendo comunicativo, amigo e prestativo, recebeu merecidamente, ainda vivo, a homenagem de seu nome na rua que vai ao alto do Picão. Ele e a esposa são falecidos. Deixaram dois filhos Cleter e Carmo.